
quando a vida fez-se ouvir
e os matizes verteram intensos
os dedos sossegaram
e a palavra se guardou
não há mistério nisso
ou recusa
há uma beleza quieta
de quem abriu os ouvidos à música
e cantou
as palavras não morreram,
apenas estão descansando
deram espaço às aves selvagens
que com vôo bailado
rabiscam traçado novo
as palavras sempre voltam,
mas precisam de algo pra refletir...
***
Quando estudei a escrita diarística e autobiográfica, li um teórico que dizia que quem vive não tem tempo pra escrever. Não concordo completamente com ele, porque a escrita normalmente nasce de uma reflexão, e esta se dá sobre algum aspecto da vida, não?
Contudo, meus versos nunca foram sobre satisfação e alegria, ou serenidade. Escrevo sobre o que perturba. Sobre aquilo que causa síncopes, aquilo que choca, que desestabiliza. Não sei por quê. É assim que funciono.
Contudo, o momento presente não está me dando matéria poética, porque minha alma está assentada. E quando tento escrever sem reflexão profunda, sai uma coisa pobre e artificial.
Portanto, estou aproveitando esse hiato pra descobrir aspectos novos na vida e, claro, refletir sobre eles.
Também quero desenvolver uma poética menos ritmada, rimada. Sinto que fiquei presa em redondilhas estragadas.
Peço desculpa a todos!
Mas eu volto...